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  Quinta-Feira, 27 de Março de 2008


A Mighty Heart … ou a apologia do jornalismo (I.C.)
publicado por vmal
 


AMightyHeart.jpgComeço este texto com uma opinião pessoal, e já dizia o artista que as opiniões são como as vaginas…cada um tem a sua. O jornalismo é um bichinho que nasce com algumas pessoas…por mais que estudes e que tenhas amizades nos sítios certos, se esse bicho não nasceu contigo nunca serás um jornalista a sério. Dito isto, continuo. Se tiveres a sorte de o descobrir a tempo e de superar todos os obstáculos que se te puserem à frente e não tiveres medo de enfrentar mundos e fundos, conseguirás cumprir o sonho de viver, pelo menos em parte, daquilo que escreves.


O jornalismo já viveu melhores momentos … isso não é novidade nenhuma. Mas creio que isso tem uma justificação que me leva à minha velha batalha: ora, se eu não posso operar uma pessoa porque não sou médica nem defender alguém em tribunal porque não sou advogada, porque é que há para aí tanto palhaço com a mania que pode ser jornalista sem nunca ter posto os pés numa faculdade da especialidade. Não quero com isto dizer que todos os que estudam jornalismo são automaticamente jornalistas…há muitas pessoas que, apesar de terem feito cursos intensivos, não são capazes de reconhecer uma notícia nem que esta os morda no rabo.


Serviu este (não tao breve) introito para fazer a ponte com um filme que ultrapassa a dimensão dos filmes sobre jornalismo ou sobre jornalistas com complexo de estrelas para se debruçar sobre dois jornalistas, suas vidas pessoais e profissionais. Falo de A Mighty Heart, realizado por Michael Winterbottom. A obra conta a história por detrás do desaparecimento e assassinato de Daniel Pearl, jornalista do Wall Street Journal, em Karachi, Paquistão, meses depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001. Para um jornalista é sempre triste conhecer a morte de um colega de profissão. E digo colega no sentido mais pretencioso da palavra embora considere que todos aqueles que exercem uma determinada profissão, independentemente do lugar do mundo onde se encontrem, têm uma ligação que supera as barreiras geográficas.


AMightyHeartAJ.jpgParalelamente ao relato sobre os esforços das autoridades, dos amigos e da família por encontrarem com vida o escritor, A Mighty Heart centra-se na sua mulher, a também jornalista Mariane Pearl – brilhante Angelina Jolie - grávida de 5 meses. Durante os longos dias em que participa activamente na busca do marido, Mariane é uma mulher forte, que não dá sinais de fraqueza quando comunica com os sogros, quando dá entrevistas aos meios de comunicação e, sobretudo, que não cede ao desgaste físico e emocional que poderia ser facilmente justificado pela sua gravidez.


O momento em que Mariane descobre o destino do marido – decapitado por terroristas e cortado em 10 pedaços - é visceral. Através daqueles gritos de dor percebe-se tudo: a perda da pessoa mais importante da sua vida, o seu marido, amante, companheiro de profissão, amigo e pai do seu filho… por esta ordem. Acaba-se a serenidade daquela mulher que durante meses dá mostras de coragem e de dureza, que compreende e aceita a profissão do seu marido como ninguém porque essa profissão é também a sua. E porque, no fundo, quando um jornalista vai para um sítio como o Paquistão sabe ao que vai e todos os que o amam têm de estar preparados para o pior. Quando for grande quero ser assim.