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  Quarta-Feira, 27 de Fevereiro de 2008


Javier Bardem antes, durante e depois do grande O. , (I.C.)
publicado por vmal
 


bazaruto.jpgUma queca ao por do sol, debaixo do mais famoso touro de Espanha, o da marca Osborne. Esse touro que povoa a geografia espanhola e que ja ninguém recorda que é uma manobra publicitaria tao bem sucedida  que se tornou um símbolo nacional, foi o palco da primeira queca cinematográfica entre o Javier Bardem e a Penélope Cruz (a segunda deverá surgir no projecto espanhol de Woody Allen). Esses dois actores - fabuloso ele, medíocre ela - que hoje se passeiam pelas passadeiras vermelhas de tudo quanto é cerimónia, também tiveram os seus inícios completamente isentos de glamour, estilistas e namorados famosos. Pelas mãos de Bigas Luna, Javier “El chorizo” Bardem e Penélope “La hija de puta” Cruz protagonizaram “Jamón, Jamón” (1992), uma historia típica do cinema espanhol dos anos 90 com sexo à fartazana, diálogos kitch e argumentos pobres. No fundo e citando Cervantes, trata-se de um filme de cuyo nombre no quiero acordarme.


Juntamente com “Tacones Lejanos” de Almodóvar (nos anos imediatamente posteriores à movida madrilenha, em que andava de mini saia e meias de rede, mas antes de ser aclamado pela crítica estrangeira e de ganhar um óscar, desta feita vestido de negro rigoroso) estes foram os primeiros passos de Bardem, que apesar de ser filho de uma das mais consagradas actrizes do cinema, do teatro e da televisão - Pilar Bardem - nunca viveu na sombra do sucesso da progenitora e lavrou uma carreira na qual, com o seu ar canalha e voz rouca soube diversificar-se e dar vida a personagens bizarros e comuns, em muitos casos baseados em casos verídicos. Mais tarde chegaram “Huevos de oro” (1992), “La teta y la luna” (1994)—ambos de Bigas Luna - e “Entre las piernas” (Manuel Gomez Pereira, 1999).


 Apesar do reboliço que se criou em torno da nomeação para Oscar de melhor actor secundário por “No country for old men” Bardem foi nomeado para melhor actor principal em 2001 pela sua interpretação de Reynaldo Arenas, um escritor homosexual cubano, em “Before night falls”. Julian Schnabel ofereceu a Bardem a sua primeira grande interpretaçao em Hollywood mas o actor continuou a oferecer grandes interpretações ao cinema espanhol: “Los lunes al sol” (Fernando León de Aranoa, 2002 - interpretando uma vítima do desemprego resultante do encerramento dos estaleiros navais de A Corunha) e “Mar adentro” (Alejandro Amenábar, 2004). Aqui Bardem deleitou com a sua interpretação de Ramón Sampedro, um tetraplégico cuja vida e vontade de morrer fizeram correr rios de tinta na imprensa espanhola durante anos.


 Agora podemos vê-lo, já oscarizado, em “No country for old men”. Dentro de nada será possivel vê-lo numa das mais belas histórias de amor de sempre: “El amor en los tiempos del cólera” adaptação cinematográfica da obra homóloga do colombiano Gabriel García Márquez. Mais tarde voltaremos a ver uma cambalhota entre Bardem e Penélope em “Vicky, Cristina, Barcelona” de Allen. Seguir-se-á mais um papel baseado numa figura verídica: Pablo Escobar, em “Killing Pablo”. E depois, um novo desafio, um musical: Nine. Novamente, lá estará Penélope. E é que no fundo as carreiras destes dois espanhóis afincados em L.A acabam sempre por se cruzar. Se há casos em que se pode dizer From dust to dust, neste caso, devemos dizer from fuck to fuck.


De facto parece nao haver nada de que Bardem tenha medo, nem mesmo de reincidir junto a uma actriz que pouco ou nada tem para oferecer.
De uma coisa não restam dúvidas, com Oscar ou sem ele, ja ninguém consegue parar a carreira de Bardem. E se algum dia Hollywood se esquecer dele, os realizadores espanhóis bater-se-ão para que ele participe nos seus filmes...ou isso esperamos.